quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Resenha: Métrica (Slammed)

Resenha Métrica (Slammed) 

Título: Métrica (Slammed)

Autor: Colleen Hoover 

Páginas: 304

Editora: Galera Record 

Lançamento: 2013

UM POUCO SOBRE O LIVRO: 

Sinopse: "O romance de estréia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor."

AVALIAÇÃO CRÍTICA 

     Li uma resenha de Métrica por acaso, não gostei da capa e logo achei que a história seria desinteressante pela sinopse, no entanto, decidi dar uma chance ao livro por abordar a poesia Slam. Nunca tinha lido nada da autora em questão então não sabia muito o que esperar. O título do livro que me chamou a atenção.

     Baixei-o em pdf e li em dois dias; dada a surpresa que foi a história. 

     Layken é uma garota de 18 anos que acabara de perder o pai numa morte repentina, para conseguir se sustentar financeiramente ela, a mãe e o irmão de 9 anos se mudam para o Michigan, deixando sua cidade natal - Texas - e todas as lembranças do que outrora fora uma família feliz para trás. Ela precisa ser forte para dar o apoio de que seus parentes devastados e falidos precisam. Mas, no fundo, ela também está do mesmo jeito.

     A personagem me irritou bastante; principalmente com suas atitudes imaturas. Mas, no decorrer do livro, observamos o crescimento dela e a compreendemos.

"Não foi a morte que deu um murro em você, Layken. Foi a vida. A vida acontece. Merda acontece. E acontece muito. Com muita gente."

     Sua vida está de cabeça para baixo e infeliz, até o momento em que ela conhece, por causa da imediata amizade de seus irmãozinhos, Will Cooper, um homem sensível, gentil, prestativo e muito atraente. Colleen Hoover não nos poupa do clichê e logo surge a paixão instantânea e eles descobrem que tem mais coisas em comum do que imaginam.

     Métrica é uma montanha-russa de emoções e sentimentos, e à medida em que achamos que finalmente está tudo bem, o livro dá uma reviravolta e surge uma avalanche de novas emoções. A história de vida dos personagens é tristemente impactante, cada um deles nos dá uma lição sincera e profunda e nos pegamos refletindo, desejando abraçar cada um deles e dizer que está tudo bem. Caulder e Kel são responsáveis por muitas fofuras, e é impossível não se apaixonar.

     Talvez a maior surpresa que tive foi a abordagem inovadora da poesia Slam, que, segundo o Google: "Basicamente, slams ou poetry slams são encontros de poesia falada (spoken word) e performática, geralmente em forma de competição, onde um júri popular, escolhido espontaneamente entre o público, dá nota aos slammers (os poetas), levando em consideração principalmente dois critérios: a poesia e o desempenho." Daí que surgira o título original. Para os amantes de poesia - isso me inclui - foi simplesmente fantástico; os poemas são honestos e marcantes, tendo a diversidade e liberdade como seu registro.

"E daí? E daí que a dor sobre a qual você escreveu ano passado não é o que você está sentindo hoje? Pode ser exatamente o que a pessoa na primeira fila está sentindo. O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos - é por isso que se escreve poesia."

     É preciso dizer que a escolha de músicas da banda The Avett Brothers iniciando os capítulos e sendo uma delas a trilha sonora do livro tornou tudo mais rico. Acabara sendo inevitável não se comover e apegar-se a Will, Eddie - uma personagem extraordinária -, Caulder e Kel.

     A maneira que a Hoover escreve é simples, mas de uma sensibilidade e subjetividade impressionantes. E é claro que vou pesquisar sobre as outras obras dela.

     Métrica é uma trilogia, portanto em breve terá uma resenha sobre o segundo livro, denominado "Pausa", aqui no Blog.

     Recomendo para quem gosta de poesia, quem procura um livro simples e marcante, e para os fãs de romance - preparem os lenços!

TOP FRASES 

"As pessoas vivem tomando decisões espontâneas com base no coração. Mas os relacionamentos têm a ver com com muitas outras coisas, não só com amor."

"Se eu sentir uma dor apenas um por cento mais forte do que a que já sinto agora, abdico do amor. Não vale a pena."

"Amplie seus limites, Lake. É para isso que eles existem."

"Olho para todas as casas ao longo da rua. Todas são tão parecidas que é inevitável ficar pensando nas diferenças de cada uma dessas famílias. Será que tem alguém escondendo algum segredo? Alguém se apaixonando? Ou desapaixonando. Será que são felizes? Tristes? Será que estão com medo? Falidos? Carentes? Será que dão valor ao que têm? Será que Gus e Erica dão valor à saúde que tem? Será que Scott dá valor à renda extra dos aluguéis? Porque tudo isso, toda ínfima parte, tudo é passageiro. nada é permanente. A única coisa que todos temos em comum é o inevitável: todos morreremos um dia."

"O que as outras pessoas pensam de suas palavras não deve importar. Quando você está no palco, você compartilha um pedaço de sua alma. Não dá para pontuar isso."

     Interessou-se? Não custa nada dar uma lidinha, né? Depois volta aqui e diga-nos sua opinião sobre o mesmo. Beijão, até a próxima resenha!

Resenha por: Marcela Carvalho.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Resenha: O Símbolo Perdido

Resenha O Símbolo Perdido

Título: O Símbolo Perdido (The lost symbol)

Autor: Dan Brown 

Páginas: 443

Editora: Arqueiro 

Lançamento: 2009

UM POUCO SOBRE O LIVRO: 

Sinopse: "Depois de ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris, Robert Langdon está de volta com seus profundos conhecimentos de simbologia e sua brilhante habilidade para solucionar problemas. Em O símbolo perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal'akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo. Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian. Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico. O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está. Nas mãos de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, os desafiando a abrir a mente para novos conhecimentos."

AVALIAÇÃO CRÍTICA 

     No terceiro livro da série de Robert Langdon, Dan Brown envereda pelos mistérios e vertentes da Francomaçonaria (não, não é uma sociedade secreta, é uma sociedade com segredos, vale ressaltar. Como a Coca Cola, por exemplo), pela história da fundação dos Estados Unidos, por antigas obras de arte, ciência noética e muito mais.

     Na trama o professor e simbologista de Harvard é convocado de última hora aparentemente por seu antigo amigo maçom Peter Solomon, para dar uma suposta palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Com relutância Langdon comparece, porém, logo percebe que caiu numa cilada e presencia uma cena de um crime brutal. Ele descobre que seu amigo e a segurança nacional correm grande perigo, e a única solução é desvendar os Antigos Mistérios e encontrar o segredo há muito escondido pelos maçônicos.

"Toda verdade poderosa tem sua própria força da gravidade e, mais cedo ou mais tarde, as pessoas acabam atraídas por ela."

O Símbolo Perdido - pág. 58

     Este não é o melhor livro do Dan Brown, mas é tão fantástico quanto todos os outros. E, tendo em vista os outros livros, O Símbolo Perdido deixou a desejar.

     O autor peca apenas na relação personagem/leitor, onde o protagonista parece um robô programado para desvendar símbolos e solucionar problemas, tendo uma memória excepcional e conhecimentos profundos. Não há aquela velha identificação e apego, seja com Robert Langdon, Katherine Solomon, e entre outros... Pois os personagens são rasos. Só me interessei por Katherine Solomon, a cientista brilhante. 

     A narrativa é rápida e abundante em conhecimento, fascinando o leitor do início ao fim. Particularmente, eu nunca havia ouvido falar da Ciência Noética, que, segundo o Google: "É um dos novos ramos da Ciência que pretende, através do método teórico-experimental, descobrir as respostas para várias destas indagações milenares; ela busca inclusive, por meio de inúmeras experiências científicas, comprovar a existência da alma e da vida depois da morte." E eu fiquei simplesmente encantada, querendo saber cada vez mais. O autor nos apresenta um mundo de símbolos e de ciência que instigam até os mais céticos.

"A mente domina a matéria." 

O Símbolo Perdido - pág. 53

     É um entretenimento que vale a pena, principalmente para aqueles que são fissurados por sociedades secretas, teorias da conspiração, ciência, polêmica e mistério - como eu. Em mais um romance policial repleto de suspense e ação, o autor impressiona por sua genialidade, tornando-se um dos escritores mais aclamados da atualidade.

     Minha parte preferida do livro foi o final, onde eles estavam finalmente desvendando os símbolos e objetos maçônicos. O desfecho me agradou bastante, e como era de se esperar foi surpreendente e nem perto do que eu poderia imaginar.

     O meu exemplar é da edição econômica, embora eu não seja fã destas edições. Não são muito agradáveis. Tive que interromper a leitura algumas vezes para fazer determinadas pesquisas, portanto, sugiro a edição ilustrada. A escrita do Dan Brown é robusta mas ao mesmo tempo acessível, sem muitos rodeios, tornando-a fluída.

     Recomendo para quem gosta de romance policial, enredos cheios de mistérios e reviravoltas e quem procura uma distração que acrescente algo a mais.

TOP FRASES 

"A chave para nosso futuro científico está escondida em nosso passado." 

"Ordem a partir do caos."

"Existe um mundo escondido por trás do que todos nós vemos."

"Abandone a busca por Deus... em vez disso, procure por ele tomando a si mesmo como ponto de partida."

"Vivermos no mundo sem tomarmos consciência do significado do mundo é como vaguear numa grande biblioteca sem tocar nos livros." 

     Interessou-se? Não custa nada dar uma lidinha, né? Depois volta aqui e diga-nos sua opinião sobre o mesmo. Beijão, até a próxima resenha!

Resenha por: Marcela Carvalho

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Resenha: Quem é Você, Alasca?

Resenha Quem é você, Alasca?

Título: Quem é você, Alasca? (Looking for Alaska)

Autor: John Green 

Páginas: 188

Editora: Intrínseca 

Lançamento: 2014 

UM POUCO SOBRE O LIVRO: 

Sinopse: "E naquele quase-momento entre nós dois, eu percebi que me importava com ela, pelo menos um pouco. Não sei se gostava dela, e tinha minhas dúvidas quanto a confiar nela, mas me importava o bastante para tentar descobrir. Ela na minha cama, aqueles olhos verdes enormes me encarando. O mistério infindável do seu sorriso irônico, quase malicioso."

"Este romance de estreia é uma amostra do talento bruto de John Green, o tipo de talento que faz você chegar à última página do livro como uma pessoa completamente diferente." - The Guardian.

AVALIAÇÃO CRÍTICA 

     Eu estava em casa em pleno final de semana, sem fazer nada... E pensei: por que não reler um livro da minha estante? E o escolhido foi... Quem é você, Alasca? Porque dentre os livros que li do John Green, este simplesmente é o meu favorito.
    Miles Halter é um adolescente antissocial, que leva um vida pacata na Flórida e tem uma obsessão não-óbvia; ele gosta de colecionar e decorar últimas palavras de pessoas famosas. Ele não gosta de ler os livros dos escritores famosos, por exemplo, ele está interessado em suas biografias e últimas palavras.
     Tocado por uma citação específica e vários questionamentos na cabeça, Miles decide ir para um colégio interno no Alabama e mudar bruscamente sua vida, sair em busca de respostas e do seu "Grande Talvez". Desde o início fiquei me perguntando o que seria esse Grande Talvez que ele se referira tanto. No caso dele, presumo que seja deixar de lado a monotonia e viver mais aventuras, ter mais diversão, viver intensamente... Fazer com que sua adolescência tenha valido a pena.
     Na Culver Creek ele conhece o seu colega de quarto Chip Martin (Coronel), um garoto pobre - bolsista - que se destaca por sua inteligência e carisma. Ele é cativante e emocionante, aquele tipo de pessoa que todo mundo queria ter como amigo e que nutre uma simbólica raiva por pessoas ricas. Coronel também tem uma obsessão diferente; ele gosta de decorar nomes de países, capitais, populações, etc. Junto com Alasca Young, ele planeja e executa os trotes mais lendários da escola.
     Alasca Young é uma personagem misteriosa, excêntrica, ambígua e profundamente triste, utilizando-se de metáforas sempre que pode. 

"Do meu lado na escuridão, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e naquela noite de lua minguante eu pouco via da sua silhueta, exceto quando ela fumava, quando a brasa do cigarro iluminava seu rosto, que adquiria um tom vermelho pálido. Mesmo no escuro eu admirei os seus olhos, esmeraldas intensas. Aqueles olhos seriam capazes de convencer você a fazer qualquer coisa que ela pedisse. E ela não tinha apenas um rosto bonito. Seu corpo era igualmente lindo, os peitos apertados na camiseta justa, as pernas torneadas se movendo para a frente e para trás no balanço, os chinelos pendurados nos dedos dos pés com unhas pintadas de um azul forte e brilhante."

Quem é você, Alasca? - pág. 21

     Enquanto Miles quer encontrar o seu Grande Talvez, Alasca quer desvendar os mistérios do Labirinto. Imediatamente Miles se apaixona por ela; na típica pegada do John Green: Nerd que se apaixona por garota popular e misteriosa. Dito isso, ele começa a querer saber mais sobre ela, seu passado e tudo que a envolvia. E assim como Miles, o leitor deseja cada vez mais entender: Afinal, quem é você, Alasca?
     John Green desenvolveu a personagem com tamanha maestria que ela se tornou uma das minhas personagens literárias favoritas, desde a escolha do nome até as besteiras que ela fazia. Além de tudo, ela ainda é Feminista - o que me fez amá-la ainda mais -, sempre com frases como "Não me imponha esse paradigma patriarcal", "Não trate o corpo das mulheres como meros objetos" e:

"Nenhuma mulher deveria espalhar mentiras sobre outra mulher, nunca! Você violou o acordo sagrado entre nós! Como esfaquear umas às outras pelas costas vai ajudar as mulheres a superarem a opressão patriarcal?!"

Quem é você, Alasca? - pág. 58

     Um personagem que me pareceu não ter muita importância foi o Takumi, embora eu tenha simpatizado com ele, um japonês, que assim como os amigos, tem uma obsessão diferente; ele gosta de rimar e se considera um "MC". Já a Lara, namorada temporária do Miles, teve seus momentos fofos e engraçados, fazendo-nos simpatizar com ela desde o princípio.
      O livro é organizado em duas partes, o "antes" e o "depois", e numa contagem regressiva e em seguida progressiva. Ele é repleto de reflexões e metáforas, induzindo o leitor a se questionar frequentemente. Sem esquecer do humor ácido do John Green, que traz à tona questões inerentes à adolescência como Álcool, Cigarros e Sexo.
     O acontecimento ao qual o livro gira em torno é polêmico, mas não me surpreendeu. Não por ter sido com a Alasca. Que por causa de um fato em sua infância, ela acabou se tornando impulsiva e inconsequente. Aos poucos, o autor vai nos revelando pequenos fragmentos da história dela, mas mesmo assim não é o bastante. Inclusive os próprios amigos dela não sabiam quem realmente ela era. E eles tentam descobrir. Mas Alasca é um completo mistério.
     A capa original não me agradou nem um pouco, mas eu amei a edição da Editora Intrínseca. Gostei bastante da capa de um preto fosco contrastando com a fumaça de cigarro, as folhas amareladas e no final tem "algumas últimas palavras sobre últimas palavras" e  "um guia de leitura atualizado". A diagramação está bastante agradável. Preciso nem dizer que a escrita do Green é maravilhosa, né? 
     Recomendo para quem gosta do gênero New Adult, de questionamentos filosóficos acerca de coisas que todos nós estamos destinados e de um livro sincero e profundo.

TOP FRASES 

"Vocês fumam por prazer. Eu fumo para morrer".

"Chega um momento em que o melhor a fazer é arrancar o Band-Aid. Isso dói, mas depois passa, e então vem o alívio."

"Passamos a vida inteira presos no labirinto, pensando em como vamos escapar dele um dia, e como vai ser quando fizermos isso, e imaginando o que o futuro guarda para nós, mas nunca conseguimos de fato sair. Só usamos o futuro para fugir do presente."

"Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão."

"Como escapar do labirinto do sofrimento?"

     Interessou-se? Não custa nada dar uma lidinha, né? Depois volta aqui e diga-nos sua opinião sobre o mesmo. Beijão, até a próxima resenha!

Resenha por: Marcela Carvalho.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Resenha: Cidades Mortas

Resenha Cidades Mortas 

Título: Cidades Mortas 

Autor: Dêner B. Lopes 

Ano: 2014

Editora: Chiado Editora 

Páginas: 202

UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA:

"Cada uma das 10 Cidades da nação de Lisarb escolherá, por meio de voto dos habitantes, um casal de jovens entre 15 e 18 anos para o Festival das Cidades-Mortas.
Os 20 Eleitos serão encaminhados para a Cidade-Morta selecionada, onde serão confinados e terão que escapar dos soldados-robôs que irão se dispersar pelo local, com claras intenções de morte lenta.
Todos aqueles que conseguirem sobreviver até o final das duas semanas de confinamento, terão a honra de fazer dois pedidos, possíveis e aprovados pelo Presidente, é claro."
Em "Cidades Mortas", conhecemos Arthur, garoto de 16 anos, órfão e pobre, que de súbito se encontra no programa mais mortífero de seu país, onde é obrigado a lutar contra robôs preparados especialmente para matá-lo e a sobreviver com somente aquilo que o é fornecido. Com a companhia de mais 20 jovens, o menino corre riscos que não são somente representados pelos robôs.

AVALIAÇÃO CRÍTICA:

Dêner B. Lopes, com inspiração de Suzanne Collins, cria um mundo onde o leitor pode tanto desfrutar da trama da história, como também absorver ensinamentos e tirar conclusões próprias sobre temas diversos, entre eles: preconceito racial/social, governo ditatorial, etc. A escrita, além de ser muito rápida, é detalhada e bem específica, a tomando muito agradável. "Cidades Mortas" é um livro de uma sentada só. A narração de Arthur sobre os acontecimentos a sua volta são dinâmicas e entretém mesmo nos momentos mais tensos. A crítica ao preconceito se encontra muito forte nesse livro, pelo fato do protagonista não concordar com o meio qual as etnias se dividem em cada cidade e o ódio existente entre as mesmas. Creio que o livro poderia ter explorado mais sobre a personalidade dos Eleitos, pois, pela falta das informações, tornaram alguns personagens em nada, não nos dando a oportunidade de se apegar a nenhum que não seja o protagonista e suas duplas. É interessante como conseguimos observar o desenvolvimento do personagem principal, mediante as situações do livro. Portanto, "Cidades Mortas" é a leitura certa para as pessoas que estão a procura de um livro empolgante, mas também rápido. A edição está confortável para a leitura, porém sua capa escorregadia pode vir a ser um pequeno problema para alguns. O tamanho das letras e as páginas amareladas são pontos que a editora acertou em cheio. Então, recomendo esse livro para os fãs de "Jogos Vorazes", pois, sem dúvida alguma, ele te agradará bastante. O exemplar nos foi concedido pela editora, nossa mais nova parceira.

Resenha por: Felipe Batalha

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Resenha: Menino de Ouro

Reasenha Menino de Ouro
                                       

Título: Menino de Ouro (Golden Boy)

Autor: Abigail Tarttelin 

Páginas: 384

Editora: Globo Livros

Lançamento: 2013

UM POUCO SOBRE O LIVRO: 

Sinopse: A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo. 

AVALIAÇÃO CRÍTICA 

    Este é um daqueles livros que te deixam fascinado da primeira a última página. A capa já sugere minimamente um dos muitos assuntos abordados pelo personagem e por todas as pessoas que o rodeiam, assim como a sinopse. 

    Max Walker é o adolescente perfeito; inteligente, bonito, namorador, atleta, obediente, amigo e filho esforçado. Estaria tudo realmente perfeito, se ele não tivesse um segredo arrebatador... Max é um Intersexual, isto é, pessoa que nasceu com ambos os sistemas reprodutores, ou parte de um e de outro, ou o predomínio de um sobre o outro; grosseiramente falando um Hemarfrodita. Ele nasceu com as duas combinações de cromossomos: 46xx e 46xy. Max está entre os dois sexos, não é nem menina, nem menino - mas fora criado como sendo do sexo masculino. Até então ele não havia tido que lidar com a complexidade de sua condição, mas, pouco antes de seu aniversário de 16 anos, um acontecimento horrendo relacionado com uma das poucas pessoas que sabiam do seu segredo trás de volta tudo que ele e sua família estavam adiando. Na minha opinião, foi de extrema coragem - e genialidade - da autora ter posto o acontecimento mais marcante da vida de Max logo nas primeiras páginas. 

"É quando o choque se dissipa, e eu percebo o que está por vir. Parece que se leva muito tempo para compreender a situação. Quero dizer, coisas como essa nunca acontecem. Elas acontecem com outras pessoas, mas não com você, não comigo."

Menino de Ouro - pág. 21

    O enredo é dividido em três partes, cada uma delas anunciando um feito mais chocante que o outro. A história é contada em primeira pessoa através de diferentes pontos de vista: do próprio protagonista, dos pais, do irmão caçula, da namorada e da médica (um aspecto importantíssimo) do garoto. Em muitos livros isso torna a leitura confusa e entediante, mas em Menino de Ouro, não; essa alternância de pensamentos e visões foi essencial para enxergar o Max num todo, e nos deu a capacidade de se colocar no lugar de cada um deles, inclusive do Max. É um convite para o leitor refletir a decisão que tomaria no lugar dos pais dele, assim que ele nasceu, por exemplo. Nos faz questionar se não conversar sobre a Intersexualidade do garoto com ele, assim como as demais questões que envolvem Sexualidade e Identidade de Gênero foi a melhor opção, e acredito que cheguemos a mesma conclusão; a ignorância é crucial.

"Sou um observador passivo da dor à minha volta. Sou o fusível da bomba. Nem sequer me acendo. Tampouco escolho quando apagar. Eu não explodo. Eu apenas sou."

Menino de Ouro - pág. 382

    Um personagem surpreendente e cativante é o Daniel, irmão do Max. Como já dito na sinopse, pelos padrões da família Walker ele é considerado "estranho", afinal, ele é o oposto do irmão; problemático, não demonstra afeto e aparentemente menos inteligente. As cenas de conversação entre os irmãos foram muito prazerosas e emocionantes de se ler. No fim, percebemos que cada um é perfeito ao seu modo. 

    Um livro deveras emocionante, onde Abigail Tarttelin soube explanar e tocar de maneira sublime o leitor, trazendo à tona questões muitas vezes invisibilizadas e abafadas por nossa sociedade, onde a regra, o padrão e a norma é ser "normal". Mas a normalidade é algo muito relativo, e a autora nos mostra isso de maneira fantástica. 

"As pessoas não sabem como tratar quando você é meio isso e meio aquilo. Eles acham que você vai fazer merda com a cabeça deles e corromper suas crianças e seus adolescentes...coisas assim..."

    A escrita da Abigail é bela e à sua maneira rebuscada. Em Menino de Ouro ela ousou e impactou. 

    Recomendo para todas as pessoas, porém, é um livro profundo e chocante, portanto, estejam preparados.

TOP FRASES 

"Você precisa de coragem para fazer qualquer coisa. A mesma coragem que precisa ter para fazer um teste ou fazer escolhas ou escrever um poema quando o último que fez ficou uma merda, é a mesma coisa que sair à noite sem ficar apavorado. Se tiver medo, você nunca vai viver. Você precisa de coragem para viver."

"A escuridão não é sequer a perda da visibilidade. É apenas uma mudança de cor, de tom. É a mesma coisa que o dia, com uma tonalidade diferente." 

"Às vezes, você tem que ser corajoso e dizer o que você é e como se sente. Mesmo se não souber como fazer isso. Você só precisa respirar fundo e decidir começar."

"Eu nunca havia pensado antes sobre como a vida é tão acidental, como ela pode ser tão fácil e rapidamente criada e se acabar de repente, no espaço de minutos. Isso me faz apreciar tudo muito mais, mas também me faz pensar sobre quanto do nosso destino é definido pelo acaso, e quantos pequenos acidentes tiveram que acontecer para me fazer o que e quem eu sou."

"Se você ama alguém, você o ama e ponto. Não importa de onde veio ou se é um menino ou uma menina, ou se você luta, ou se ele é esquisito, ou se ele tem dificuldade para se comunicar com você. Você só ama, porra!" 

    Interessou-se? Não custa nada dar uma lidinha, né? Depois volta aqui e diga-nos sua opinião sobre o mesmo. Beijão, até a próxima resenha!

Resenha por: Marcela Carvalho.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Resenha: O Código Da Vinci

Resenha O Código da Vinci


Título: O Código Da Vinci

Autor: Dan Brown

Ano: 2004

Páginas: 432

Editora: Arqueiro



UM POUCO SOBRE O LIVRO 
Robert Langdon é um famoso simbologista, que foi convocado a comparecer no Museu do Louvre após o assassinato de um curador. A morte deixou uma série de pistas e símbolos estranhos, os quais Langdon precisa decifrar. Em seu trabalho ele conta com a ajuda de Sophie Neveu, criptógrafa da polícia. Porém o que Langdon não esperava era que suas investigações o levassem a uma série de mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci, que indicam a existência de uma sociedade secreta que tem por missão guardar um segredo que já dura mais de 2 mil anos.

AVALIAÇÃO CRÍTICA
Dan brown, conhecido por sua abordagem à criptografia e assuntos polêmicos decide surpreender neste livro. O código da Vinci é um questionamento direto a doutrina católica, despertando o interesse dos jovens por um assunto que é tido como tabu: o santo graal.
O santo graal, segundo o livro e teorias da conspiração, é na verdade, o útero de maria madalena(segundo o livro e teorias, foi casada com Deus) e seus descendentes. E a missão de Dan Brown é descobrir onde está o graal, e por destino, acaba se tornando um guardião do graal. 
Dan Brown é um autor impecável; usa uma linguagem rebuscada porém de fácil acesso. Pontuação e facilidade de se expressar excelentes.
Apesar de algumas falhas históricas(em questão de informação) "O Código Da Vinci" nos convida a questionar tudo o que fomos designados a aceitar como verdade absoluta. 

PERSONAGENS
O passado de Sophie Neveu é bastante explorado. Porém, um ponto desfavorável da história é que Robert Langdon não fala muito sobre sua vida. O personagem é usado como uma "maquina de desvendar símbolos", fato qual acredito que em próximos livros Dan Brown tomará alguma providência.

TOP FRASES
"Oh, draconian devil. Oh lame saint" ( anagrama para "Leonardo Da Vinci- The Mona Lisa")

"Abaixo da antiga Roslin 'stá o Graal. 
Lâm'na e cálica guardam-lhe o portal. 
Pela arte dos grandes mestres velada jaz. 
Sob estrelado céu descansa em paz. "(suposto local de onde o santo graal esteve, e lugar onde se encontra os documentos do priorado de sião- uma ceita que protege o santo graal)
Resenha por: Kaline Souza

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Não é problema meu!"


    Olá, pessoas. Tudo na paz? Eu espero que sim. Neste post decidi incluir uma de minhas primeiras crônicas; ela trata de um assunto bem comum atualmente.     

    O mundo evoluiu, a tecnologia evoluiu, a comunicação evoluiu, as pessoas evoluíram - e a violência também. Quantas vezes ligamos a televisão e está passando no jornal diversos casos de violência?! Desde um assalto, roubo... Até um estupro e/ou morte. Hoje em dia qualquer coisa - mesmo a mais fútil - é motivo para brigas, discussões, conflitos. As pessoas não conseguem conviver bem socialmente. 

    Se uma mulher usa roupas curtas, é motivo para ser estuprada/assediada. Vale ressaltar que cantada também é assédio. Se uma pessoa torce para um time, que ganhou do seu, é motivo para ser espancada. Se uma pessoa têm gostos diferentes do seu, é motivo para cometer Bullying. Se uma pessoa não é heterossexual, é motivo para ser morta. Realmente não consigo imaginar como a sociedade conseguiu chegar a esse ponto! Será que é tão difícil cuidar apenas da sua vida e respeitar as demais pessoas?

    Agora vamos ao tema central deste post e da crônica. Respondam-me com sinceridade: você está passando na rua e vê uma pessoa sendo espancada, o que você faria? Você está passando na rua e vê uma mulher sendo violentada, homossexuais/transexuais sendo mortos, humilhados, o que você faria? Ligaria para a polícia, tentaria ajudar, pediria socorro... Certo? Errado. 

    Nós sempre achamos que, se está acontecendo com outras pessoas, nós não temos nada a ver com isso... Não é problema nosso. Aí que está o problema: não sabemos o dia de amanhã. Se você estivesse naquela situação, certamente ia querer ser ajudado, não é mesmo? Pense nisso.


Crônica (Só mais um)


    Cassidy voltava da faculdade conversando animadamente com um grupo de amigas enquanto dirigia, mais precisamente 3 mulheres. Todas elas cursavam Administração. Os assuntos eram diversos: trabalho, faculdade, namoro, livros, séries, filmes, futebol, etc. 

- Como está o trabalho, Nycole? - indagou Clarice no banco do passageiro e virou-se para trás, para observar a amiga.

- Tranquilo. Aliás... A Aline parou de dar em cima do Pedro. Tive uma conversinha com ela... - Nycole sorriu de canto, satisfeita.

    Com o relato, todas soltaram uma exclamação, exceto Lorena, que permanecia calada observando as vielas pelas quais passavam.

- Detalhes. Quero detalhes! - disse Cassidy.

    Nycole então começou a contar a história, detalhando o máximo que pôde.

    Começara a chover, obrigando-as a fechar o vidro. Lorena continuava imóvel e impertubável no seu canto, perdida em pensamentos. Onde o Matt deve estar?, pensava ela. Ele não foi à aula hoje e não atendeu minhas ligações, nem mesmo minhas mensagens no Facebook e Whatsapp.

    Ela sentia um crescente mal-estar, uma sensação ruim apoderava-se de seu peito, e ela não sabia o que pensar. Apenas sabia que algo ruim estava para acontecer. Era quase como um presságio, mas ela não tinha coragem de partilhar com suas amigas o ocorrido. Decerto iriam fazer gozação com a mesma, e ela não estava com paciência para certos tipos de brincadeiras.

    O sinal ficou vermelho e Cassidy parou o carro. Ela olhou para trás sentindo falta de alguém... Clarice não. Nycole não. Matt faltou. Lorena!

- Que houve, Lorena? - perguntou e lançou-lhe um olhar preocupado.

    Lorena suspirou.

- Nada. É só q... - antes da loira completar sua frase, gritos abafados cortaram o ar. Elas se entreolharam horrorizadas e voltaram sua atenção para a cena que acontecia numa esquina à direita do carro: três rapazes encapuzados possuindo armas rodeavam um outro que se encontrava ao lado de sua moto, ajoelhado, com as mãos atrás da cabeça.

- Essa voz me é familiar! - Lorena quase gritou, tomada pelo susto.

- Olhem! - dessa vez foi Nycole, apontando atônita para o rapaz que agora era alvo de chutes e pontapés.

    O homem gritou mais uma vez, dessa vez um grito mais estridente, clamando por socorro. Lorena sentiu uma pontada no coração. Quando pensou em descer do veículo, Cassidy arrancou com o carro, tomada pelas buzinadas de meia dúzia de carros atrás dela.

- Vamos ajudá-lo! Chamar a polícia, sei lá! - Lorena se embolou com as palavras, numa falsa esperança de convencer as amigas.

- Só mais um assalto, não temos nada a ver com isso. Cheguemos logo em casa! - disse Clarice.

- Verdade! - as outras concordaram. E Lorena, tomando-se por vencida, assentiu e nenhuma palavra a mais disse. Mas no fundo ela sabia que havia algo errado. Muito errado.

    Noutro dia, as mulheres jantavam em volta da mesa quadrada, assistindo ao Jornal Local.

    Lorena levantou-se da cadeira e foi até a geladeira, pegar o suco de laranja. 

"Ontem a noite, um grupo de bandidos assaltaram, esfaquearam e mataram um rapaz. Ele foi encontrado por um idoso na margem de um rio, a cinco quilômetros do local do crime. Testemunhas afirmam que ele se chama Matthew Fonseca Parker, 22 anos, estudante de Administração..."

    Lorena não precisou escutar mais nada, agora tinha certeza do que acontecera com seu namorado.

    Sentiu-se tonta e, trinta segundos depois, estava desmaiada no chão coberto por cacos de vidro. Seu grande amor se fora, e ela poderia ter evitado. Se não tivesse pensado que era só mais um exemplo de violência... 

       Digam-nos suas opiniões, relatos, critiquem... Beijão, até a próxima matéria!


Matéria por: Marcela Carvalho.